sexta-feira, 14 de março de 2014

ÉTICA CRISTÃ Norman Geisler


O mais importante é que o livro mantém o seu objetivo principal: avaliar as opções éticas existentes sob uma perspectiva cristã. Os diferentes pontos de vista éticos são apresentados de modo abrangente e rico em informações, o que possibilita ao leitor conhecer com clareza cada um dos posicionamentos. A partir disso, fica a critério do leitor fazer a opção que, para ele, for mais condizente com os princípios bíblicos.

Enquanto a ética considera o que é moralmente certo ou errado, a ética cristã considera o que é moralmente certo ou errado para os cristãos. Este é um livro que se dedica a discutir a ética cristã. Uma vez que os cristãos baseiam suas crenças na revelação de Deus dada nas Escrituras, a Bíblia será citada como uma autoridade nas conclusões aqui apresentadas.

Em outras palavras, Deus deseja que se faça o que é certo em concordância com seus próprios atributos morais. “Sede santos, porque eu sou santo”, foi o mandamento de Deus para Israel (Lv 11.45). “Sede, pois, perfeitos, assim como perfeito é o vosso Pai celestial” (Mt 5.48), Jesus disse aos seus discípulos. “É impossível que Deus minta” (Hb 6.18), assim, nós também não devemos mentir. “Deus é amor” (1Jo 4.16), e Jesus disse, “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.39). Em suma, a ética cristã baseia-se na vontade de Deus, e Deus nunca deseja algo que seja contrário ao seu caráter moral imutável.

Desconhecer a Deus como a fonte do dever moral não exime ninguém, nem mesmo um ateu, de suas obrigações morais. Como disse Paulo: “quando os gentios, que não têm lei, praticam as coisas da lei por natureza, embora não tenham lei, tornam-se lei para si mesmos, demonstrando que o que a lei exige está escrito no coração deles” (Rm 2.14-15). Ou seja, mesmo que os incrédulos não tenham a lei moral em suas mentes ainda assim eles a têm escrita em seus corações. Mesmo que não a conheçam de forma cognitiva, eles a demonstram através de suas inclinações.

Ética deontológica
A regra determina o resultado.
A regra é a base do ato.
A regra é boa independente do resultado.
O resultado é sempre calculado dentro das regras.

Ética teleológica
O resultado determina a regra.
O resultado é a base do ato.
A regra é boa por causa do resultado.
O resultado algumas vezes pode ser usado para quebrar as regras.

Há somente seis sistemas éticos elementares; cada um designado pela resposta à pergunta: há leis éticas objetivas? Em outras palavras, há leis morais, que não sejam meramente subjetivas, mas sim obrigatórias a todos os seres humanos em geral?

Em resposta, o antinomismo diz que não há leis morais; o situacionismo afirma que existe uma lei absoluta; o generalismo reivindica que existem algumas leis gerais, mas não existem leis absolutas; o absolutismo não qualificado acredita em muitas leis absolutas que nunca são conflitantes; o absolutismo conflitante defende a ideia de que há muitas normas absolutas que algumas vezes são conflitantes, o que nos obriga a escolher entre o menor de dois males, o absolutismo graduado diz que muitas leis absolutas são conflitantes, e nós somos responsáveis por obedecer àquela que for mais elevada.

Em várias histórias bíblicas, pessoas mentiram para salvar vidas. As parteiras hebreias mentiram para salvar os meninos recém-nascidos do faraó, que havia ordenado que eles fossem mortos (Ex 1.15-19). Raabe mentiu para salvar a vida dos espiões judeus em Jericó (Js 2). É certo mentir para salvar uma vida?

 1. Mentir não é nem certo nem errado: não existem leis. O antinomismo assevera que mentir para salvar vidas não é nem certo nem errado. Ele afirma que não existe princípio moral objetivo que possa julgar se essa questão é certa ou errada. A questão precisa ser decidida com base em princípios subjetivos, pessoais ou pragmáticos, mas não em algum princípio moral objetivo. Não temos, literalmente, um princípio moral para decidir essa questão.

 2. Mentir é normalmente errado: não existem leis universais. O generalismo reivindica que mentir é normalmente errado. Como regra, mentir é errado; mas, em casos específicos, essa regra geral pode ser quebrada. Como não existem leis morais universais, delimitar se uma mentira está correta é algo que dependerá dos resultados. Se os resultados forem bons, a mentira terá sido a atitude certa. A maioria dos generalistas acredita que mentir para salvar uma vida é uma atitude correta, visto que, nesse caso específico, o fim justifica os meios. No entanto, a mentira, de modo geral, é considerada errada.

4 comentários:

  1. Achei o testo muito didático, e de fácil assimilação, contudo sei que nem todos os textos serão assim.
    Só ainda não assimilei a terminologia desta disciplina e de teo. sistemática.

    Assim que puder, vou comprar o dicionário de filosofia.

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  2. termo éthos é nele que a palavra Ética tem sua raiz etimológica. Quando escrito com a letra “ε” (épsilon), ela significa “costume”, vale dizer, aquela “disposição interior”, que leva o indivíduo, com uma certa constância do agir, a compartilhar da comunidade social a que pertence. Mas o termo ethos, quando escrito com a letra “η” (eta), tem também um outro sentido igualmente muito significativo. Ele quer dizer “morada”. Portanto, a dupla significação da palavra ethos, vale dizer, o éthos-costume e o éthos-morada, abre um espaço, no qual o ser humano, para tornar seu mundo mais habitável, cria as formas simbólicas, através das quais as “coisas materiais”, ou as realidades da natureza, são integradas ao sistema simbólico da cultura. o homem é, ao mesmo tempo, a causa e o efeito. Causa porque é ele quem transforma a Natureza em Cultura, e, ao mesmo tempo, efeito, porque todo homem é homem de seu tempo e traz as marcas da cultura em que se insere e da qual recebe as influências.

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  3. O texto é claro, o que facilita a compreensão do tema. Contudo, não deixa nítido a "classificação" da ética cristã nos parâmetros apresentados, permitindo assim que cada um chegue a sua própria conclusão.

    Sobre o os sistemas éticos elementares, o que se entende por leis absolutas? :)

    Jéssica Gomes

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  4. Leis que servem para todos em todos os lugares, mas que, todavia, podem ser conflitantes.

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